Domingo, 27 de Novembro de 2005

Binóquio O Menino Cara de Pau

 


Aos 57 anos de idade, Maikol Jepetoson era um homem profundamente infeliz.


Apesar de ter um parque de diversões e um cinema particular, de possuir uma coleção de brinquedos maior que todo o estoque da DB Brinquedos, Jepetoson sentia-se muito solitário em sua modesta mansão de 124 cômodos e já não conseguia controlar os seus milhões de dólares espalhados pelos quatro cantos do mundo.


Sua infância foi marcada por uma relação dolorida com o seu pai.                         Era ainda adolescente quando fundou um conjuto musical e, junto com seus irmãos, compôs uma música chata e comprida que acabou fazendo um sucesso enorme.


Aos 20 anos, o grupo se desmanchou e ele resolveu cantar sozinho. Em pouco tempo tornava-se um mega-star!


Jepetoson levou um susto tão grande com o seu rápido sucesso que ficou branco!


Apaixonado pelas crianças, freqüentemente ele as convidava para passar o final de semana na sua mansão. Até que um dia, foi acusado de pedofilia.


A mãe de um garoto de 10 anos queixou-se à polícia que o sr. Jepetoson tinha convidado o seu filho para passar um final de semana em sua mansão e, na ocasião, aproveitou-se do garoto, obrigando-o a ficar o dia todo brincando na sua Roda Gigante.


O escândalo alastrou-se pelo mundo todo mas, três milhões de dólares mais tarde, o juiz percebeu que tinha cometido um equívoco, desculpou-se perante o público e obrigou a mãe do menino a interná-lo em uma clínica para doentes mentais.


Para contrariar a imprensa, que questionava suas preferências sexuais, Jepetoson resolveu casar-se para provar que viado era a mãe e já que não podia brincar com as crianças dos outros, ele iria ter as suas próprias. Para esposa, escolheu a filha do Princesa do Rock. Mas, ela não agüentou muito tempo e pediu o divórcio alegando que o marido - que, sabidamente tinha afinidade por sapos, escorpiões, iguanas, e, principalmente cobras - odiava aranhas.


Entristecido com esse episódio e lamentando não poder mais trazer as crianças para brincar com ele, Jepetoson passou a viver infeliz e isolado do mundo.


Certa manhã, ao acordar, teve uma idéia brilhante.


Mandou chamar o melhor marceneiro do mundo e pediu para que ele fabricasse um menino de madeira.


- Que lindo! - exclamou Jepetoson ao ver a réplica perfeita que o marceneiro lhe entregava uma semana mais tarde. - Me apaixonei!


Correu para o quarto com o menino debaixo do braço, trancou a porta e abaixou-lhe as calças.


- Oh! - exclamou ele, espantado ao ver o pingolim do menino. - Que filho da puta! Eu falei prá aquele desgraçado não economizar madeira. - Luciiiiiidio! - berrou ele, sem conter a raiva.


Logo, um crioulo enorme apareceu na porta.


- Pois não, sr. Maikol!


- Cadê o filho da puta?


- Qual deles?


- Aquele que fez esse boneco ho-rro-ro-so!


- Ele já foi embora! Mas, eu pensei ter ouvido o senhor dizer que achava o boneco lindo!


- Lindo? Essa coisa?? Dá uma olhada no tamanho do pirulito dele! Aposto que foi feito com madeira japonesa!! Que horror!!!


E começou a chorar descontroladamente.


- Sr. Maikol, eu sinto muito...


- Vai embora! - disse o cantor em prantos. - Eu quero ficar só!


Jepetoson atirou-se na cama e ficou ali prostrado durante horas, soluçando, lamentando a incomensurável catástrofe que se abatera sobre ele.


Quando acordou, algumas horas depois, Binóquio estava sentado sobre a cama, acariando-lhe os cabelos.


- Meu Deus - murmurou assustado. - O boneco está se mexendo! Acho que fiquei completamente louco!


- Não se preocupe, Maikol - replicou o boneco. - Você não está louco não. Enquanto você dormia, eu recebi a visita de uma fada muito bondosa que me transformou num menino de verdade!


- Menino de verdade, não! - corrigiu uma vozinha fina de uma criatura sobre o ombro de Binóquio. - Você ainda é um boneco de madeira, só que pode falar, andar e fazer outras coisinhas!


- Quem é essa coisa? - perguntou Gepetoson, curioso.


- É o Grelo Falante, a minha consciência!


- Grelo? - exclamou Gepetoson com ar de nojo. - Ai que horror! Que mau gosto! Não poderia ser uma outra coisa mais inteligente? Um testículo, por exemplo?


- Pare de se lamuriar e veja só isso - disse Binóquio abaixando as calças!


- Eu não estou vendo nada de mais! - exclamou Gepetoson.


- Acabou-se a onda de violência no Rio de Janeiro! - falou Binóquio, e de repente o seu pingolim começou a crescer!


- A corrupção no Brasil está sendo severamente punida! - continuou o boneco e o seu pingolim aumentou ainda mais de tamanho!


- A Humor Tadela é a página mais engraçada na Internet! - de repente, o negócio dele ficou enorme!


- Que maravilha! - disse Jepetoson, radiante! - Que fantástico, como você consegue isso??


- Foi a Fada que me ensinou! É fácil, eu falo uma mentira e meu pinto cresce!


- Uau!!! Vem, vamos comemorar! - disse Maikol, puxando Binóquio pelo braço. - Casca fora seu Grelo besta!


Então, a partir desse dia Maikol Jepetoson se transformou no homem mais feliz do mundo. Vivia cantando, sempre de bom humor, fazia brincadeiras com seus criados e, às noites, trancava-se no quarto com Binóquio e ficava horas e horas ouvindo suas mentiras. Estava tudo perfeito, até que um dia...


- Binóquio! - dizia o Grelo Falante. - Você tem que dar um jeito da sua vida, não pode ficar trancado aqui o tempo inteiro brincando com o Maikol.                                   Você precisa conhecer coisas novas, passear por ai, fazer coisas diferentes.                          Porque você não experimenta brincar com uma mulher?


- Uma mulher? Credo, que nojo! Não me fala esse nome que me embrulha o estômago!


- Tá vendo! Você fica tanto tempo com o Maikol que já está falando igual a ele! - Vem, vamos dar um passeio!


- Eu não quero!


- Quer sim! Vista-se e vamos embora antes que o Maikol acorde! E trate de pôr um chapéu, pois se pegar esse solão do meio dia, você vai ficar empenado!


Então, os dois sairam a passear nas proximidades do cais. Uma dúzia de mulheres, em trajes ousados andava pelas calçadas à procura de algum marinheiro.                  Quando uma delas parou para conversar com Binóquio, este contou-lhe tantas mentiras que ela, ao avistar o enorme volume sob as suas calças, desistiu de convencê-lo a        pagar-lhe alguma coisa e arrastou-o para um dos quartos onde pode se certificar do tamanho da mentira do menino.


Quando Maikol acordou e soube que Binóquio havia saído, ficou desesperado.


- Para onde ele foi? - perguntou a um dos seguranças.


- Foi na direção do cais.


Ele saiu desembestado imaginando que o menino (ou boneco) havia embarcado em algum navio clandestino. Chegando no cais ele avistou um enorme cargueiro em alto mar.


- Leve-me até aquele cargueiro - ordenou para um marinheiro que alugava barcos.


Os dois foram atrás do cargueiro e quando estavam bem próximos foram surpreendidos por uma baleia faminta que os engoliu.


Quando Binóquio saiu do bordel, já estava quase escurecendo.                        Exausto, ia subindo uma ladeira lentamente, quando avistou uma multidão na beira do cais. Curioso perguntou o que era:


- É o Maikol Jepetoson, que foi engolido por uma baleia!


- Jepetoson! Meu Deus! Preciso salvá-lo! - disse Binóquio, pulando para um outro barco e remando sozinho.


- Ui... ai.... ui... - queixava-se o Grelo Falante!


- O que foi que houve? - perguntou Binóquio.


- Estou toda dolorida - respondeu a consciência. - Não devíamos ter feito isso!


De repente, uma enorme baleia surge diante deles e os engole.


- Xi! Estamos fritos! - comentou Binóquio, e em seguida, apontando para uma das costelas da baleia - Olha, lá está o Jepetoson! Junto com um marinheiro!


- Oh! Binóquio! - disse Jepetoson ao avistá-lo. - Ainda bem que vamos morrer juntos!


- Não, vamos morrer não - disse a voz esganiçada do Grelo Falante. - Eu tive uma idéia! Vamos fazer uma fogueira com os barcos! Isso vai irritar a mucosa da Baleia,      ela vai espirrar e vamos ser atirados no mar novamente.


Todos aprovaram a idéia e começaram a empilhar a lenha no meio do estômago da baleia. Em seguida, atearam fogo na madeira. Pouco depois a baleia deu um espirro violento e eles foram atirados a mais de quinhentos metros de distância.


- Viva! Deu certo! - exclamou Maikol Jepetson.


- Estamos salvos - disse o marinheiro.


- A minha idéia foi brilhante - comentou, orgulhoso, o Grelo Falante!


Então, eles começaram a nadar em direção da praia.


- Ué, cadê o Binóquio? - perguntou Maikol depois de algumas braçadas!


- É mesmo, eu não vi o Binóquio! - disse o Grelo.


- Binóquio? Quem é esse cara? - perguntou o marinheiro.


- É o menino que estava comigo! - disse o Grelo.


- Aquele boneco desengonçado de madeira?


- Esse mesmo! Você o viu?


- Eu o usei para acender a fogueira!


 


(Recebi por email)

publicado por maria papoila às 19:12
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